quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Caso 15





Dionísia, era uma espécie de Deusa Grega das Festas, Vinhos, da Insanidade, da Loucura, que se matriculou no curso de Serviço Social da ESEB, onde, lhe disseram, iria integrar-se perfeitamente. Eu podia dizer muito mais coisas, mas, digo apenas, que Dionísia era madeirense o que, salvo melhor opinião, diz tudo!
Porque Dionísia era uma mulher quente e fogosa vivia maritalmente com um italiano chamado Andrei e um Alentejano chamado Pocahontas, que tanto amava homens como mulheres. Viviam os três na mesma casa e eram felizes assim.
Só não eram totalmente felizes porque Andrei era doido por pirralhas, daquelas ainda mais pirralhas, que as pirralhas que estão a fazer este teste! E um dia foi apanhado a praticar o coito com uma miúda de 15 anos que se prostituía para ter dinheiro para ir aos concertos da família inteira do Tony Carreira.
Humilhada, triste, magoada, lixada, desconsidera, pesarosa, Dionísia quis divorciar-se deles os dois e ir procurar o homem da sua vida! E encontrou-o, nos becos da vida, numa noite clara sem estrelas: eram lindo, charmoso, encantador, 66 aninhos, mas corpo de 59! É verdade que ele tinha mais 44 anos do que ela, mas, preenchia-lhe todas as suas necessidades, fazendo dela uma mulher satisfeita. Quase sempre…
Um dia chatearam-se porque ele quis vender a casa onde moravam, que o pai dele lhe tinha doado ainda antes dela nascer e ela não autorizou a venda. Quando se chateavam ela chamava-lhe velho cornudo impotente, traste imprestável, coisa ruim, verme, piolhoso, e outros nomes, que os meus alunos estão a pensar mas que eu sou demasiado tímido para conseguir escrever no enunciado do teste.
Mas, apesar destes dias infelizes, Adalberto, como se chamava o nosso sexy sexagenário encheu-a de amor e presentes; mas como Dionísia era uma mulher insaciável, comprou para ela um Audi A1, outro para o Pocahontas, encheu-se de peças de ouro, antes de fugir, para local incógnito que, por acaso, foi o Brasil. Com uma aluna do segundo ano de serviço social, que eu não vou dizer qual, mas que, usa relógio!!!
Quid Juris

Caso 14


Dionísio, o Deus Grego das Festas, Vinhos, da Insanidade, da Loucura, matriculou-se no curso de Serviço Social da ESEB, onde, lhe disseram, iria integrar-se perfeitamente. Profundamente preocupado com a situação social na velha europa, despertou do sono profundo onde a antiguidade mergulhou os deuses, para reaparecer agora, quando sentiu que tinham saudades dele.
Dionísio vivia maritalmente, desde 2009, com Héstia e Afrodite, na sempre bela e leal vila de Grândola, porquanto, as duas Deusas juntas, davam-lhe o perfeito equilíbrio que ele precisava para ser feliz! Bem como, porque a vida está cara e sempre era mais fácil entre os três pagarem a renda do T0 que habitavam e que, no Inverno gelado, se tornava acolhedor.
Mas, numa destas noites, Dionísio, depois de alguns copos de tinto dos Grous, cruzou o seu olhar com o de uma petiza e ficou tragicamente apaixonado; ela, nem sequer era de uma beleza extraordinária, quiçá tivesse o hábito de falar e rir demasiado alto, mas, tinha um olhar que lhe preencheu o coração, uma meiguice felina que o deixou apaixonado! Nesse mesmo dia, fugiu com ela e casaram na Tailândia, no dia em que ela completou quinze anos. Um casamento lindo, na esbelta praia de Phuket, onde, mais tarde, consumaram o casamento, sendo que, para ela, foi a primeira vez que o seu cândido corpo se deixou tocar por um homem.
Curiosamente, Gervásia, assim ela se chamava - engravidou nessa primeira vez, tendo, nove meses depois, nascido Aristóteles, que, desde pequeno, ficava sozinho em casa, enquanto os pais iam para os bares de Beja ou para aquela praia perto de Grândola que é deliciosa e que eu nunca sei o nome!
Os pais de Gervásia nunca aceitaram o casamento; desde logo porque, como se comprova pelo nome que escolheram, a filha foi um acidente inesperado e nunca tiveram grande gosto naquela filha; aliás, eles eram tio e sobrinha e a filha foi o produto de excesso de álcool e uma noite de verão demasiado quente. Obrigados pelos pais, casaram e são infelizes juntos há mais de vinte anos; de quando em quando, ele esmurra-a, mas, ela tem medo de o deixar, por temer ser incapaz de pagar as dívidas que ele contraiu ao jogo, em três carros que ofereceu às amantes e numa viagem que ele fez sozinho ao Brasil, por razões que ela desconhece. Mas desconfia. Ao menos moram numa linda casa com vista para o mar, comprada por ele, ainda solteiro. No entanto, ele informou-a esta semana que vai vender a casa e emigrar para o Brasil! Sozinho.
 Quid Juris

Caso 13


Podia ser de manhã, mas não era. Podia ser de tarde, mas não era. Era de noite. Mas, como ainda era cedo, nem se pode dizer que fosse demasiado tarde. Embora, o cedo ou o tarde, tal como o perto ou o longe, o grande e o pequeno, dependem de diversos factores e circunstâncias: tantas e tantas vezes o que para uns é quente é frio para outros, o que para uns é feio para outros é belo.
Mas era de noite, uma noite fria de Inverno, em que a sala iluminada pela lareira quente, embebida no vinho tinto que aquece os corpos e faz sorrir as almas, clamava pelo silêncio contemplativo. Lá fora, a chuva caía bruta, mas, cá dentro, sentia-se a tranquilidade calma dos dias serenos. Hermenegilda e Patricio eram primos e viviam juntos há mais de três anos, mas, há quase um, que raramente tinha intimidades, porquanto, o coração dela pertencia a outra pessoa que, desde há meses, era dona do seu corpo. E fugiram numa tarde de Fevereiro; primeiro para a ilha da Madeira, depois, para uma ilha tropical onde casaram, no mesmo dia em que chegaram, em segredo.
Regressaram, casadas, ambas felizes, decididas a terminar a licenciatura de serviço social o mais rápido possível; o drama, o terror, a fado cruel, o pior de tudo, era a cadeira de Direito da Família, dificílima, que o estupor de um professor que recorrentemente as reprovava. Foram morar para uma casa comprada com algum dinheiro que Hermenegilda já tinha e outro que ambas, já casadas, pediram ao banco.
Blimunda, como carinhosamente a chamava a sua amada, comprou também um carro, bonito. Tudo corria bem e decidiram que queriam ser mães, pelo que, adoptaram Ptolomeu; mais tarde, Hermenegilda quis ser mãe biológica, pelo que, persuadiu André a fazer um generoso contributo, nascendo assim a filha, que Blimunda e Hermenegilda criaram como se fosse parte das duas.
Mas Blimunda tinha um vício; um vício terrível, maléfico, horrendo, aterrador, um vício chamado Horácio, pelo que, uma qualquer noite, escondida pelo breu, foi com ele para trás de uma moita e fizeram muito amor, tanto amor, que Blimunda abandonou os filhos e a mulher que era a amada. E dívidas, um monte de dívidas por pagar, mormente, o carro que tinha comprado, uma jóia cara que tinha oferecido a Hermenegilda, um ipad para o Horácio, e, ainda quis, ficar com a casa para si.
E Horácio ficou tão feliz, que bateu até ela ser candidata a uma dentadura nova. E depois fugiu, porque, na noite anterior, tinha tido relações sexuais com uma miúda de 15 anos.
Quid Juris

Caso 12


Ponderei muito se partilhava com os meus estimados discentes esta pequena história, porque, só de pensar, fico arrepiado e comovido bem como outras coisas que o decoro e a vergonha me impedem de explicitar!
Tudo passou numa noite! Quiçá não fosse de noite, mas cresci convicto que as coisas mais maravilhosas acontecem debaixo do encanto da lua;bem como, as mais terríveis coisas!
Capitulina tinha quinze anos, um cão, um cão sem nome,umas calças de ganga de marca, umas orelhas de hello kitty e um amor maior que o próprio amor, uma paixão que não cabia na paixão, um encantamento maior que o enamoramento! Mas isso não interessa nada para o caso, por isso, rogo ao meu aluno que deixe de pensar em histórias de amor e se concentre neste teste, que vai ser no Auditório da Agrária às 9 da manhã!
Capitulina naquela noite aceitou ter relações sexuais com o marido da sua mãe! Que lhe deu 50 euros! Que ela usou para comprar cocaína! Logo depois de, munida de uma faca de presunto, ter assaltado três alunas de serviço social!
Capitulina namorava com Capitulino, um rapaz lindo de morrer, especialmente para aquelas mulheres que não gostam de homens muito bonitos! Os pais de Capitulino fugiram para as Caraíbas e deixaram o filho sozinho em casa! Ele, que tem a idade dela, comprou uma playstacion e um pacote de batatas fritas!
Quid Juris

Caso 11


Quid Juris



A manhã acordou gélida! Num auditório estranho um bando de crianças loucas e alguns adultos de alto coturno, suspiravam de ansiedade, enquanto os minutos corriam em direção do abismo: temiam o que iriam ler no teste, com a certeza certa que o mesmo seria profundamente complicado e que muitos dos presentes teriam de regressar em Fevereiro. Nos olhares podiam ler-se os nomes feios que no silêncio gritavam ao pobre professor!
Lyonce e Viiktórya são irmãs gémeas e curiosamente até nasceram no mesmo dia, faz exatamente dezasseis anos, pelo que, se me permitem, começo por desejar a ambas os parabéns! Se é que elas têm algo a festejar, nesta data que não se evoca nem se celebra! Porque ambas estão grávidas! Lyonce está grávida do padrasto e Viiktórya de um trolha, um rapaz de 25 anos, tão bonito, que este que vos escreve, cora só de pensar!
A mais bonita das duas irmãs, comprou com o dinheiro que roubou da caixa da Igreja um carro de bebé, que lhe custou 1000 Euros! A outra comprou um maço de cigarros!
Mas, o pior pior pior, mas mesmo do pior ou, se me permite, mesmo piorio, é que Viiktórya está agarrada à cocaína e assalta velhotes para conseguir dinheiro para o vício! Já a sua irmã, passa os dias fechada no quarto a bordar o enxoval das crianças!
E termino, com uma dúvida, que me consome e me atormenta, que não me deixa dormir há treze dias e duas noites: que será da criança, filha da Viiktórya?

Caso 10


Era daquelas manhas que podia perfeitamente ser de tarde! Até porque se quisermos ser amigos da verdade, afirmar que uma manhã podia ser uma tarde é uma daquelas expressões, que apesar da exuberante beleza poética, sinceramente não quer dizer nada, pelo que o desgraçado discente que vai ter de resolver o presente caso prático, perde o seu precioso tempo, lendo um lindo texto, repleto de expressões desinteressantes, num longo parágrafo que, sejamos honestos, não serve para absolutamente mais nada do que aumentar a sua ansiedade!
Bentinho e Capitolina cresceram como irmãos, desde a mais pura das idades, partilhando brinquedos e cumplicidades, penicos e fraldas, lágrimas e sorrisos, como dois verdadeiros irmãos, que só não tinha sangue comum, porquanto Bentinho era filho de seu pai e Capitolina de sua mãe, que se casaram depois e tiveram um filho comum, “Venâncio”, “meio irmão” dos nossos dois heróis! Viviam ainda com Martinha, de dezasseis anos, que os pais desejavam adoptar, porquanto era órfã de pais vivos, por desde sempre ter sido abandonada!
Bentinho começou a trabalhar aos 16 anos num call-center onde ganhava um disparate de pouco dinheiro: ainda assim, porque era rapaz poupada, quando Capitu – diminutivo de Capitolina – fez 17 anos, ofereceu-lhe um iphone, um ramo de acácias e uma moto 4, comprada com o dinheiro da herança de sua mãe, falecida desde o dia em que morreu!
Não sei se já referi, mas o meu bom aluno por certo já percebeu, que Bentinho e Capitu, criados como irmãos, amavam-se como homem e mulher, passando fogosas noites de amor casto, nos braços tenros um do outro, pormenor terrivelmente importante na vida deles, mas que me parece irrelevante para o caso prático!
Contrariamente ao facto de Capitu, após ter descoberto sms comprometedoras no telefone de Bentinho, ter trocado o seu amado que afinal não a amava tanto assim, por um novo vicio chamado cocaína, vendendo todos os seus bens para comprar o produto e, quando mais nada tinha de seu, deu em assaltar velhas daquelas muito velhas, para que com o produto do roubo comprasse o produto do seu vício!
O seu fornecedor tinha 13 anos e tinha sido baptizado com o nome de Escobar, um lindo rapaz que usava um piercing na narina! A história de vida de Escobar, faz este que vos escreve verter lágrimas só de pensar: violado por um dos muitos namorados da mãe, vivia com uma tia após a prisão dos pais, ia à escola quase nunca, passando os dias e as noites onde o vento o levava, vivendo dos rendimentos que a venda de droga lhe proporcionava! De seu, tinha uma casa que a avô lhe dera em testamento, mas a sua tia matreira, logo a venderam, para usar o dinheiro para sustentar um jovem rapaz de 20 anos

Caso 9


Era uma vez, porque todas as boas histórias devem começar com era uma vez, três trigémeas que ainda por cima eram irmãs, de nomes Ana, Aninha e Anocas. Os pais morreram de uma forma tão tragica que eu nem tenho coragem de contar como foi, quando as manas tinham 12 anos!
Ana aos 13 anos foi abusada sexualmente por um tio, com quem morava desde a morte dos pais!
Aninha aos 16 anos foi presa, após assaltar uma velha daquelas muito velhas, desesperada para arranjar dinheiro para heroína: a Aninhas, não a velha!
Anocas aos 17 anos engravidou de um gajo muito rico, casou com ele e comprou uma bicicleta com bolinhas amarelas que tinha visto numa loja ao pé do liceu!
Quid Juris

Caso 8


Foi em Setembro que se conheceram! Ela trazia nos olhos a luz de Maio, nas mãos o calor de Agosto e um sorriso tão grande que não cabia no tempo.
Ele disse-lhe: “ Ouve, vamos ver o mar...”
Foram o 30 de Fevereiro de um ano por inventar, falam coisas tão loucas e acabaram em silêncio, por unir as suas bocas e ele aprendeu a amar. Ainda o relógio marcava dezassete anos e já Açucena vivia maritalmente com Margarida, há dois anos e três dias. até que se Açucena se fartou da sua amada, terminou a relação e quis ficar a morar na casa, que há 3 anos Margarida tinha arrendado por óptimo preço!
No dia que fez 18 anos Açucena casou com Enivaldo, uma espécie de trolha do mar, um madeirense charmoso com coração de açoriano e uns olhos azuis da cor do mar, quando o mar é azul!
Ele amou-a como ninguém tinha amado antes. Quis dar-lhe o sol, quis oferecer-lhe as estrelas, mas como lhe faltou o talento ofereceu-lhe um iphone 4 e uma mota, prendas que ela adorou e que ele se esqueceu de pagar, algo que ela apenas descobriu, depois de ele fugir com Margarida, no carro que ele tinha oferecido a esta e que não pagou!
Ainda por cima, Enivaldo era não apenas marido, como tio da nossa Açucena, que, pasme-se, recusou-se a dar-lhe o divórcio! Quando ela falou no divórcio, ele agarrou numa barbie e deu-lhe quatro marretadas, tendo Açucena ido para o Hospital com um corte no rosto.
Açucena ainda se apaixonou pelo seu irmão, mas a relação durou pouco, porque ela não confiava nos homens da sua família.
Foi em Novembro que ela partiu, levou nos olhos as chuvas de Março e nas mãos o mês frio de Janeiro. Lembro-me que ele lhe disse que o seu corpo tremia, mas ele, que queria ser forte, respondeu que tinha frio, falou-lhe do vento norte. Não lhe disse adeus, quem sabe talvez um dia...
Como ele tremia meu Deus! Amou como nunca amou!
Como não tinha para onde ir foi para as Caraíbas, onde conheceu uma aluna de Serviço Social, por quem se apaixonou e com quem casou, numa tarde de Verão, junto ao mar azul, dois dias antes de regressarem a Portugal, porque a aluna de SS tinha teste de Direito. E foram felizes, até que a aluna de SS quis vender o seu carro, contra a vontade de Açucena que o usava para o seu trabalho. Aliás, a aluna quis também vender a casa onde moravam, prenda do seu avô.
Sim eu sei que tudo são recordações, sim eu sei é triste viver de ilusões, mas este foi o mais lindo caso prático que um dia me aconteceu!

Quid Juris

Caso 7


Era daquelas manhas que podia perfeitamente ser de tarde! Até porque se quisermos ser amigos da verdade, afirmar que uma manhã podia ser uma tarde é uma daquelas expressões, que apesar da exuberante beleza poética, sinceramente não quer dizer nada, pelo que o desgraçado discente que vai ter de resolver o presente caso prático, perde o seu precioso tempo, lendo um lindo texto, repleto de expressões desinteressantes, num longo parágrafo que, sejamos honestos, não serve para absolutamente mais nada do que aumentar a sua ansiedade!
Bentinho e Capitolina cresceram como irmãos, desde a mais pura das idades, partilhando brinquedos e cumplicidades, penicos e fraldas, lágrimas e sorrisos, como dois verdadeiros irmãos, que só não tinha sangue comum, porquanto Bentinho era filho de seu pai e Capitolina de sua mãe, que se casaram depois e tiveram um filho comum, “Venâncio”, “meio irmão” dos nossos dois heróis! Viviam ainda com Martinha, de dezasseis anos, que os pais desejavam adoptar, porquanto era órfã de pais vivos, por desde sempre ter sido abandonada!
Bentinho começou a trabalhar aos 16 anos num call-center onde ganhava um disparate de pouco dinheiro: ainda assim, porque era rapaz poupada, quando Capitu – diminutivo de Capitolina – fez 17 anos, ofereceu-lhe um iphone, um ramo de acácias e uma moto 4, comprada com o dinheiro da herança de sua mãe, falecida desde o dia em que morreu!
Não sei se já referi, mas o meu bom aluno por certo já percebeu, que Bentinho e Capitu, criados como irmãos, amavam-se como homem e mulher, passando fogosas noites de amor casto, nos braços tenros um do outro, pormenor terrivelmente importante na vida deles, mas que me parece irrelevante para o caso prático!
Contrariamente ao facto de Capitu, após ter descoberto sms comprometedoras no telefone de Bentinho, ter trocado o seu amado que afinal não a amava tanto assim, por um novo vicio chamado cocaína, vendendo todos os seus bens para comprar o produto e, quando mais nada tinha de seu, deu em assaltar velhas daquelas muito velhas, para que com o produto do roubo comprasse o produto do seu vício!
O seu fornecedor tinha 13 anos e tinha sido baptizado com o nome de Escobar, um lindo rapaz que usava um piercing na narina! A história de vida de Escobar, faz este que vos escreve verter lágrimas só de pensar: violado por um dos muitos namorados da mãe, vivia com uma tia após a prisão dos pais, ia à escola quase nunca, passando os dias e as noites onde o vento o levava, vivendo dos rendimentos que a venda de droga lhe proporcionava! De seu, tinha uma casa que a avô lhe dera em testamento, mas a sua tia matreira, logo a venderam, para usar o dinheiro para sustentar um jovem rapaz de 20 anos, que ela amava com muito ciúme!

Caso 6


Sentado na cadeira amarela do Gabinete que até janela tem, trabalhando no seu computador particular, porque está algures em parte incerta o computador de serviço, um tipo qualquer pondera no que vai escrever para chatear as criancinhas!
Terá de ser algo sobre família, pessoas que se amam ou não, que casam ou partilham a vida, umas dividas pelo caminho, infidelidades ou “porradaria” doméstica, uns palavrões podiam ser, mas seria impróprio, qualquer coisas sobre bens comprados antes ou depois da vida em comum, quiçá incesto ou paixões entre familiares, uma separação mais para o fim, para chatear as pessoas durante três dias, a punição por não terem colaborado no Banco Alimentar!
Vamos chamar-lhe Popeye, - em homenagem ao excepcional salmão folhado em cama de espinafres que jantei na quarta – e vamos imaginar que é padre e se apaixonada por uma paroquiana, que fogem para um sítio qualquer onde o Sol aqueça os corações e se casam no mesmo dia em que ela completa 17 anos. E vamos imaginar que Popeye e a Bela Adormecida (como se chama a nova esposa), vivem felizes até começarem a ser infelizes! Mas que passado meses ele acha a Bela Adormecida e aborrecida e perde-se de amores pela Barbie, que tem fama de ser sensual! Que se quer divorciar mas que a Bela não quer; porque ele se quer casar com a Barbie no dia a seguir ao divórcio!
E passado uns tempos lá se casam, como planeado um dia depois do divórcio, numa praia das Caraíbas, num daqueles locais em que a água é mais azul que o céu, onde o calor húmido faz os corpos amarem-se e procriar!
Que regressam a Beja sem tratar de nenhuma formalidade do casamento, que vivem felizes até que se tornam infelizes, porque se vivessem felizes para sempre o Direito da Família era desnecessário e eu ficava sem emprego! Vamos pensar que Barbie gosta de fazer strip tease quando ele está ausente e outros homens presentes e, vá se lá saber porquê, ele não acha piada!
Pausa dramática para aumentar o suspense da nossa história: o aluno talvez não saiba, mas o Homem Aranha partilha casa e cama com o Super Homem e que apesar de serem tio e sobrinho, estão tão apaixonados que querem adoptar um menino chamado Pinóquio!
Mas estava a contar que Popeye não achava piada e, por não achar graça, tem crises de consumismo: e comprou um carro para ele, um diamante para a vizinha de cima e uma bimby lá para casa! E mais tarde um par de patins para ela! E arrependido dos erros, procurou a Bela e casou com ela outra vez: porque o Popeye percebeu que mais valia a Adormecida na cama que a Barbie nos bares da vida!
Quid Juris

Caso 5


Fabiana era uma jovem adulta similar a milhares de outras, sem um aspecto peculiar que caracterizasse, uma espécie de fotocópia de uma geração onde quase todos são iguais ou muito parecidos: não era alta nem baixa, nem gorda nem magra, não tinha corpo perfeito ou imperfeito, não era bem feia nem bonita; se me permitem a metáfora, uma espécie de arroz doce, que não sendo a sobremesa predilecta de ninguém, ninguém se recusa a comer!
Mas sempre foi uma petiza feliz, que viveu na plenitude a sua infância, aproveitando o excelente clima e as belezas naturais, o calor e a praia, as deliciosas e inexploradas comidas, típicas de um local tão típico e amoroso como a Ilha da Madeira.Mas Fabiana desabrochou quando o amor a encontrar, numa noite de Novembro, quando a chuva gela os corpos e aquece os corações: ele era meloso, simpático, extrovertido, um pouco feia, mas de uma fealdade rija que lhe beleza! Porque era uma mulher séria, Fabiana, só lhe ofereceu a sua virgindade, já depois de casada, na igreja da sua infância. E só não foram felizes para sempre, porque isto é um teste de Direito da Família e se não houver drama os meus prezados alunos não têm com que se entreter… Por falar em drama, seis meses após o casamento, Fabiana e o seu Fabiano, um açoriano, descobriram que eram irmãos, ele concebido em pecado numa noite de Verão!Afastaram-se depois da dolorosa descoberta! Marisela, mãe de Fabiana e que vivia maritalmente como o padrasto, ainda procurou persuadir a filha de fugir do amor que sentia: mas Fabiana era mula como uma teimosa e nunca mais quis ver o marido irmão!Veio para o continente estudar para Beja. Onde reencontrou a paz e o amor, nos braços quentes de um alentejano! Numa viagem à Jamaica casaram na praia, tiveram quatro filhos, todos homens, todos feios, todos simpáticos!Mas o alentejano, Tiago Bruno de seu nome, escondia um segredo: tinha uma segunda família, uma mulher com quem vivia e tinha quatro filhas, todas mulheres, todas feias, todas simpáticas! O drama apenas se descobriu, quando o orçamento de Tiago Bruno explodiu, depois de vender tudo o que os pais lhe deixaram! Por pagar, estão os móveis da casa com Fabiana, um carro que ele comprou mais só ela usava, bem como as despesas do médico das suas quatro filhas!Desesperada, Fabiana ainda casada vai trabalhar para um bar de strip tease! Até que conhece um Padre e volta a apaixonar-se! Perdidamente. Terrivelmente. Profundamente. A mais bela paixão de todas as paixões. E já passaram anos e Fabiana continua a amar intensamente, a mais feliz freira de todas as freiras, afastada dos homens e casado com Deus.

Caso 4


Beduína era realmente feia. Não que isso seja um defeito ou um problema, mas, se havia característica que a definisse era a fealdade. Na escola primária, quando com os coleguinhas de turma fizeram teatro amador, a peça escolhida foi O Capuchinho Vermelho, tendo Beduína representado o papel de Lobo Mau! Era tão trágico o seu aspecto, que a Professora decidiu que seria a única menina a não usar máscara, porquanto, o seu rosto natural era perfeito para o papel escolhido.
Mas tudo na vida é eterno apenas enquanto dura; quando a adolescência se cruzou com Beduína, ofereceu-lhe formas de pecado, um olhar de anjo diabólico, um sorriso perfeito num rosto, que de tão feio ficou belíssimo; farta dos maus tratos domésticos, aos quinze anos começou a viver com o tio Julião. Essa paixão durou três primaveras e terminou de forma abrupta. Beduína, fêmea instável, apesar de heterossexual “apaixonou-se” por Francisquinha, uma octogenária senhor rica, com quem viveu um fingido amor, por vinte e dois meses, até Fracisquinha sucumbir de ataque cardíaco, para mal disfarçada alegria de Beduína, cuja verdadeira paixão era o dinheiro da caquéctica idosa.Nesta altura Beduína estava próxima da perfeição, com os seus vinte e dois anos, apaixonada por si e pela vida, sobretudo por estudar Direito da Família. E gostou tanto que decidiu casar! Escolheu Gertúlio, carismático empresário nocturno, especialista em negócios ilícitos, pai de Juvenal, fruto de uma paixão de Verão na Jamaica, com Lourdes, o grande amor da vida de Gertúlio, uma paixão de Verão esquecida de enterrar na areia, que resultou num casamento nas praias da Jamaica, casamento que nunca Gertúlio teve coragem de se divorciar. Nem Lourdes, que depois da primeira grande sova que levou, fugiu para nunca mais regressar!O amor de Gertúlio e Beduína era honesto e quase puro: nenhum dos dois gostava do outro, mas ela era louca pelo dinheiro dele e ele louco por a desfilar nos seus estabelecimentos nocturnos. E durante cinco anos tudo correu bem. Até aquela fatídica noite. Era a passagem de ano de 2008 para 2009, quando a tragédia ocorreu. Esta frio. O que não é estranho, porque a história acontece no mês de Dezembro e em Dezembro faz frio. Excepto em alguns países, onde o Verão é no nosso Inverno e o Inverno deles no nosso Verão. E qual a pertinência desta informação para este exame? Absolutamente nenhuma, mas, foi tão fatídica aquela noite que faço uma pausa dramática. Na mesmíssima noite em que a Policia Judiciária invadiu todos os bares de Gertúlio, procurando drogas e mulheres ilegais, Beduína infiltrou-se na cama do enteado Juvenal, conhecendo nos braços dele o verdadeiro amor. Fugiram na manha seguinte com o desejo de se casaram o mais rapidamente possível, apesar de Beduina ignorar como seria possível o divórcio. Para trás, deixou o marido preso, um carro por pagar, dividas contraídas no jogo e um anel de diamantes que ofereceu a Juvenal, na primeira manhã, daquele dia que foi o primeiro do resto da sua vida. Ou não. Porque a linda menina feia é demasiado instável para poder dizer sem mentir, que será para o resto da vida…Quid Juris

Caso 3


Cornélia acordou sobressaltada com a notícia que ouviu na rádio, logo nas primeiras horas da manhã, quando a penumbra do recente sono retira o discernimento. Um regulamente comunitário determinou que apenas seria possível o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, justificando a opção com o facto de procurar diminuir o número de divórcio e procurar impedir a violência doméstica.
O drama de Cornélia era que desde petiza que carregava o sonho de casar, num deslumbrante e discreto vestido cor-de-rosa, com folhos vermelhos num amoroso véu cor-de-laranja; não casar por casar, mas casar com Bruno, o seu primo, por quem sempre foi perdidamente enamorada. Aliás, a sua família era de tal forma unida, que inúmeras vezes casaram entre si.
Ela própria era filha de Bernardinho e Bernardete, respectivamente tio e sobrinha, que casaram há anos nas praias da República Dominicana. E viveram um intenso amor infeliz: amor intenso porque vinte anos depois continuam destrutivamente apaixonados, infeliz, porque apesar do amor que os une, sempre tiveram uma péssima relação pessoal, uma exaltação intensa que apenas acalmam no leito conjugal. Apesar de não gostar de ser bisbilhoteiro, de preservar a intimidade do casal, confidencio com o meu bom aluno, a razão das constantes discussões do casal: Berbardinho, amava terrivelmente Bernardete, mas não tanto que o fizesse resistir ao prazer do álcool. E de outras mulheres, quando embriagado perdia o norte a razão e o sentido, entregando-se aos prazeres fáceis de mulheres de ocasião. Algo que era do conhecimento de toda a pequena cidade!
Bernardete sofria em silêncios estas traições: mas não calou o seu tormento quando além do álcool e cheiros de perfumes baratos, o seu marido começou a trazer dívidas para casa! Começou com as dividas num Hipermercado, quando numa tarde se lembrou de comprar seis novos electrodomésticos para a casa, mais as dívidas no bar que frequentava, na Ourivesaria, quando após uma discussão lhe ofereceu um diamante, para terminar, com a compra de um carro para Genoveva, mulher, que segundo as más línguas, se deitavam com homens casados. Mas o que fez Bernardete perder a cabeça, foi o padeiro. Encantou-se com o senhor que lhe amassa o pão e decidiu que na noite de consoada, já não iria continuar casada com Bernardinho.
E não duvide o meu bom aluno que o fará, porquanto é uma mulher determinada: mesmo sem respeitar o prazo inter-nupcial, vai terminar o casamento e juntar-se com o padeiro, entregando-se-lhe, pela primeira vez, na noite em que se celebra o menino Jesus. E, com toda a certeza, irão os dois tentar adoptar uma criança.
Quid Juris

Caso 2


Gertulio era um trolha da Ariosa, bonito e bom rapaz, pleno de charme rural e um olhar de peixe fresco, mistura de carapau com sardinha, num sorriso de robalo, com um odor coincidente.
O maior prazer na vida de Gertulio é dar umas belas porradas na sua amada mulher Engrácia. Não que o fizesse por mal; boa parte das vezes, até se arrependia, para semanas volvidas, quando o álcool lhe roubava o pouco discernimento, regressar embriagado a casa e presentear a mãe dos seus filhos, com mais uns delicados murros e uns amorosos estalos!Engrácia estava ensinada a não se queixar muito. Assistiu ao caso da sua querida irmã, Marinalva, que morreu, após uma derrota do Benfica, com um tacho na cabeça. Em tribunal, porque não se provou a culpa do seu marido, Hermenegildo, este ficou em liberdade. E carente: tão carente que quer casar com a filha da sua falecida mulher!Quid Juris

Caso 1

Dadinho tinha duas paixões na vida: animais selvagens e a sua sobrinha Estefânia. Apesar de a sua vida profissional o levar aos mais recônditos locais do mundo, todos os meses regressava à sua aldeia natal para um jantar de família. E para ir caçar gambuzinos. Era tão grande a sua paixão por Estefânia, que no dia do seu décimo oitava aniversário, ofereceu-lhe uma viagem para duas pessoas a Barbados. Sendo ele a outra pessoa! O hotel era paradisíaco, a praia divinal, a gastronomia excelente. Comeram, beberam, dançaram, divertiram-se como loucos, que acabaram babados, deitados numa cama, não como tio e sobrinha, mas como homem e mulher. Estavam apaixonados! Ninguém podia saber, mas há anos que se amavam no silêncio cúmplice de olhares culpados, lutando contra uma paixão que parecia impossível, que só para eles fazia sentido. Com a coragem da ausência, decidiram casar! A cerimónia foi na praia, simples mas melosa, com o mar como testemunha, com amorosos elefantes pulando elegantemente de nenúfar em nenúfar, cumprindo TODOS os requisitos exigidos para o casamento pela lei local! No dia a seguir, regressaram a Portugal, onde a notícia aterrou como uma bomba! Apesar de cada um deles ter uma vivenda, compraram uma nova casa, com vista sobre o mar. E foram imensamente felizes. Quase dois meses! Nesse fatídico dia, que por acaso foi de noite, pela penumbra de um sol a esgueirar-se no horizonte, o destino cruzou Dadinho com Laura, deslumbrantemente vestida com um vestido pele de leopardo, que lhe realçava o olhar de leoa. Dadinho, ficou cego de paixão e naquele instante compreendeu que estava condenado a perseguir aquela desconhecida mulher, pelos caminhos da infelicidade. Demorou um mês, mas seduziu-a. Primeiro, ofereceu-lhe várias prendas, quase todas valiosas, depois poemas e canções, três perdizes embalsamadas e finalmente, quando já pouco tinha, o seu coração! Nesse longo mês, passou o tempo numa tristeza pungente, que apenas saciava no casino, perdeu num mês toda a sua fortuna. E o que não tinha, porquanto, entre as dívidas de jogo, as prendas para Laura e as viagens de trabalho, deve 150.000 Euros. Estefânia ficou desolada! Tem 18 anos, perdeu o amor da sua vida, teme pela sua fortuna. Ainda ponderou o suicídio! Mas voltou a sorrir, quando reencontrou o amor, nos braços ternos de uma aluna de Serviço Social!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Apresentação

Este é um blogue para estudantes de Direito. Aqui vão encontrar diversos casos práticos. A opção por deixa-los num blogue, relaciona-se com o facto de permitir que sejam resolvidos on line, permitindo aos discentes a troca de dúvidas. O estilo dos casos.. é pouco convencional, um pouco diferente do ordinariamente habitual nas cátedras de Direito; mas é o nosso, do qual não queremos, nem conseguimos abdicar.A criação deste espaço tem como única explicação a nossa paixão pelo ensino, este vício de gostar do que fazemos e a tentativa de encontrar novos meios para o fazer melhor.Finalmente, deixamos dois reptos; um para os discentes: resolvam on line os casos, permitindo a outros apreenderem convosco; outro repto, para colegas: imitem-nos, deixem na Internet os casos práticos fechados nas reprografias...