quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Caso 14


Dionísio, o Deus Grego das Festas, Vinhos, da Insanidade, da Loucura, matriculou-se no curso de Serviço Social da ESEB, onde, lhe disseram, iria integrar-se perfeitamente. Profundamente preocupado com a situação social na velha europa, despertou do sono profundo onde a antiguidade mergulhou os deuses, para reaparecer agora, quando sentiu que tinham saudades dele.
Dionísio vivia maritalmente, desde 2009, com Héstia e Afrodite, na sempre bela e leal vila de Grândola, porquanto, as duas Deusas juntas, davam-lhe o perfeito equilíbrio que ele precisava para ser feliz! Bem como, porque a vida está cara e sempre era mais fácil entre os três pagarem a renda do T0 que habitavam e que, no Inverno gelado, se tornava acolhedor.
Mas, numa destas noites, Dionísio, depois de alguns copos de tinto dos Grous, cruzou o seu olhar com o de uma petiza e ficou tragicamente apaixonado; ela, nem sequer era de uma beleza extraordinária, quiçá tivesse o hábito de falar e rir demasiado alto, mas, tinha um olhar que lhe preencheu o coração, uma meiguice felina que o deixou apaixonado! Nesse mesmo dia, fugiu com ela e casaram na Tailândia, no dia em que ela completou quinze anos. Um casamento lindo, na esbelta praia de Phuket, onde, mais tarde, consumaram o casamento, sendo que, para ela, foi a primeira vez que o seu cândido corpo se deixou tocar por um homem.
Curiosamente, Gervásia, assim ela se chamava - engravidou nessa primeira vez, tendo, nove meses depois, nascido Aristóteles, que, desde pequeno, ficava sozinho em casa, enquanto os pais iam para os bares de Beja ou para aquela praia perto de Grândola que é deliciosa e que eu nunca sei o nome!
Os pais de Gervásia nunca aceitaram o casamento; desde logo porque, como se comprova pelo nome que escolheram, a filha foi um acidente inesperado e nunca tiveram grande gosto naquela filha; aliás, eles eram tio e sobrinha e a filha foi o produto de excesso de álcool e uma noite de verão demasiado quente. Obrigados pelos pais, casaram e são infelizes juntos há mais de vinte anos; de quando em quando, ele esmurra-a, mas, ela tem medo de o deixar, por temer ser incapaz de pagar as dívidas que ele contraiu ao jogo, em três carros que ofereceu às amantes e numa viagem que ele fez sozinho ao Brasil, por razões que ela desconhece. Mas desconfia. Ao menos moram numa linda casa com vista para o mar, comprada por ele, ainda solteiro. No entanto, ele informou-a esta semana que vai vender a casa e emigrar para o Brasil! Sozinho.
 Quid Juris

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