quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Caso 8


Foi em Setembro que se conheceram! Ela trazia nos olhos a luz de Maio, nas mãos o calor de Agosto e um sorriso tão grande que não cabia no tempo.
Ele disse-lhe: “ Ouve, vamos ver o mar...”
Foram o 30 de Fevereiro de um ano por inventar, falam coisas tão loucas e acabaram em silêncio, por unir as suas bocas e ele aprendeu a amar. Ainda o relógio marcava dezassete anos e já Açucena vivia maritalmente com Margarida, há dois anos e três dias. até que se Açucena se fartou da sua amada, terminou a relação e quis ficar a morar na casa, que há 3 anos Margarida tinha arrendado por óptimo preço!
No dia que fez 18 anos Açucena casou com Enivaldo, uma espécie de trolha do mar, um madeirense charmoso com coração de açoriano e uns olhos azuis da cor do mar, quando o mar é azul!
Ele amou-a como ninguém tinha amado antes. Quis dar-lhe o sol, quis oferecer-lhe as estrelas, mas como lhe faltou o talento ofereceu-lhe um iphone 4 e uma mota, prendas que ela adorou e que ele se esqueceu de pagar, algo que ela apenas descobriu, depois de ele fugir com Margarida, no carro que ele tinha oferecido a esta e que não pagou!
Ainda por cima, Enivaldo era não apenas marido, como tio da nossa Açucena, que, pasme-se, recusou-se a dar-lhe o divórcio! Quando ela falou no divórcio, ele agarrou numa barbie e deu-lhe quatro marretadas, tendo Açucena ido para o Hospital com um corte no rosto.
Açucena ainda se apaixonou pelo seu irmão, mas a relação durou pouco, porque ela não confiava nos homens da sua família.
Foi em Novembro que ela partiu, levou nos olhos as chuvas de Março e nas mãos o mês frio de Janeiro. Lembro-me que ele lhe disse que o seu corpo tremia, mas ele, que queria ser forte, respondeu que tinha frio, falou-lhe do vento norte. Não lhe disse adeus, quem sabe talvez um dia...
Como ele tremia meu Deus! Amou como nunca amou!
Como não tinha para onde ir foi para as Caraíbas, onde conheceu uma aluna de Serviço Social, por quem se apaixonou e com quem casou, numa tarde de Verão, junto ao mar azul, dois dias antes de regressarem a Portugal, porque a aluna de SS tinha teste de Direito. E foram felizes, até que a aluna de SS quis vender o seu carro, contra a vontade de Açucena que o usava para o seu trabalho. Aliás, a aluna quis também vender a casa onde moravam, prenda do seu avô.
Sim eu sei que tudo são recordações, sim eu sei é triste viver de ilusões, mas este foi o mais lindo caso prático que um dia me aconteceu!

Quid Juris

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