sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Caso 18


O tipo até podia não ser má pessoa, mas tinha cara de tonto. Para citar uma pessoa sábia, “morava na rua que ia bater ao chines” e tinha o privilégio de fazer o que gosta, embora, tantas e tantas vezes, embatesse na incompreensão ignóbil dos “umbiguistas”!
Os factos são bizarros e até sinto constrangido em vasculhar a intimidade desta boa gente, mas a dura e cruel verdade é que dentro de cada um de nós grita um vouyer, a triste curiosidade pelas trivialidades dos segredos alheios: no caso o segredo de dois irmãos, que escondidos do mundo, há três anos que faziam o amor, todas as noites, depois dos pais se deitarem, quase sempre na cave da casa, porque ele tinha o terrível defeito de gritar demasiado alto, naqueles instantes. Ele chamava-se Manuel Maria e ela Maria Manuel, esclareço, para que não passem o teste a queixar-se de que os manos, ambos maiores de idade, não têm nome e que depois fica tudo confuso, como se, a culpa da confusão, fosse a nomenclatura da coisa!
Carolina e Carolino, Catarina e Catarino são gémeos; e resolveram casar os quatro, numa viagem que fizeram todos juntos. Antes dos meus bons alunos terem pensamentos perversos, não casaram os quatro, antes, eles como eles, elas com elas, como é moderno!
Sucede que, quando cá chegaram, elas registaram o casamento e eles não! Coisas de gajos!
Foram às compras e compraram; estranho seria, se fossem às compras e vendessem; comprar carros topo de gama, uma bicicleta e uma moto de água que Catarina ofereceu ao pai dela. Como o meu excelso discente percebeu, não pagaram nada disto e, entre todos, o único património que existe, é uma casa que Carolina tinha recebido de herança.
Tudo corria bem até aparecer a Vanessa Cátia Sofia, uma miúda que morava numa Instituição e que desde petiza era abusada por uma freira; com 15 anos, apaixonou-se perdidamente por Carolina, seduziu-a de todas as maneiras possíveis, algumas até impossíveis, encantou-a com o seu sorriso, até que, o inevitável aconteceu: Carolina deixou-se cair na tentação e fizer o mais terno amor que há memória. Ou não, porque eu não fui convidado para assistir!
Quid Juris

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