quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Caso 16


Estava um tipo sentado no gabinete, a pensar em coisas inconfessáveis, intraduzíveis para uma folha branca, quando a realidade o acordou para a necessidade de elaborar um intrincado caso prático para umas donas de casa desesperadas e outras como tais, sobre complexos temas estranhos.
Chamemos Açucena à nossa heroína em homenagem a uma namorada de infância cuja memória o tempo foi incapaz de apagar, uma petiza linda, com um olhar perfurante, daqueles cuja intensidade nos faz rir ou chorar, que faz de nós os mais infelizes felizes do mundo. Ou o contrário, na distância de um instante. Açucena tinha a idade dela, a mesma que o seu irmão gémeo, curiosamente, dezasseis lindas primaveras; no entanto, amavam-se como homem e mulher e viviam maritalmente há mais de dois anos. Aliás, o amor tão grande que encomendaram um filho! Lindo como o breu! Para se sustentarem, ele assaltava velhas.
Os pais dos gémeos eram casados um com o outro e tinham a triste ideia de serem felizes, terrivelmente apaixonados, como uma labreguinha que após quatro anos de namoro ainda sente por o namorado o mesmo desejo do primeiro dia! Aliás, eles eram um casal tão felizes, que até faziam troca de casais com enorme alegria. Sobretudo ela, porque ele era rapaz tímido. Tímido, mas como gosto por coisas caras: sempre que iam para troca de casais ofereciam um IPAD aos parceiros, comprou um carro para ele topo de gama e mais coisas que agora não me recordo, deixando um rasto de dívidas.
Nisso ele era o oposto do seu irmão Engrácio, um tipo engraçado, que vivia maritalmente com a mulher com quem ele vivia maritalmente! Até ao dia que caiu em tentação: a sua enteado, Lolita de seu nome, dezassete anos de idade, passava o tempo a desfilar pela casa em parcas roupas, com aquelas coisas que as miúdas modernas usam para parecer que não são pitas, que lhe pedia dinheiro e cigarros, em troca de promessas que um dia foram realidades: não vou entrar em pormenores porque as minhas doces discentes são angelicais, mas, a verdade, é que Engrácio foi apanhado a fazer o coito com a enteada, no berço conjugal. O drama foi tão grande, que a mãe, ao apanha-los assim, morreu! Quiçá de inveja.

Quid Juris 

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