sexta-feira, 29 de junho de 2012

Caso 26


O Xico Tuga é uma espécie de Deus Grego da Planície, o terror das meninas puras e imaculadas! E das outras também. Desde petiz que era robusto e espadaúdo, com atributos muito peculiares, cresceu nas montanhas de Mértola, respirando os aromas fortes da Serra, correndo naqueles montes sem fim, como um cabritinho doido! Na idade adulta, deixou a pacatez da província e instalou-se em Beja. Foi onde o conheci! Dos mais sensuais homens com que me cruzei na vida; fico arrepiado só de recordar. Um metro e noventa de homem, noventa quilos, patilhas que se unem com o espesso bigode, cabelo imenso impreterivelmente lavado de quinze em quinze dias e um odor corporal, que só os verdadeiros machos exalam e no braço, tatuado a amarelo canário, Amor de Mértola! Xico Tuga tinha uma grave doença, uma crónica alergia ao trabalho, uma doença incurável que o acompanhou toda a vida.
Casou aos 25 anos, com uma septuagenária muito sensual; nas ruelas da cidade, línguas infelizes praguejam que Xico só casou com a velha porque ela era rica, uma enorme mentira, porquanto, o tempo provou, que mais do que o dinheiro, o grande interesse de Xico era a sobrinha da senhora. Aconselhado por uma maléfica estudante de solicitadoria, que dizem as línguas perversas coisas que sou demasiado cândido para repetir, Xico e a septuagenária fizeram um acordo antes do casamento para que o regime de bens fosse a comunhão geral.
Como Xico queria ser pai e a senhora não tinha vontade de engravidar, procuraram um aluno de solicitadoria para saber quais as possibilidades.
Nos primeiros meses de casados foram muito felizes; ela adorava oferecer-lhe presentes caros e ele era tão generoso que os aceitava. As coisas só começaram a correr mal, quando ele comprou um Audi A1 para oferecer a uma amiga muito intima e esqueceu-se de o pagar; sendo que a septuagenária também se recusou a fazê-lo! Confusa com a diferença entre encargos normais da vida do casal e proveito comum.
E tudo piorou quando a senhora o apanhou a fazer badalhoquices sexuais com a sobrinha, uma miúda de 16 anos. A senhora, quando viu aquilo que nunca ninguém devia ser obrigado a ver, sentiu sentimentos que se sentem, subiu-lhe uma coisa dentro dela, os calores, uns maus humores, uma indignação, que agarrou numa faca e só não cortou ao Xico uma parte do corpo que ele muito estima, porque este meteu a mão à frente das suas vergonhas e correu para a rua, vestido com a roupa com que nasceu. Ainda hoje se comenta pela cidade, a história da velha muito velha a correr como uma moça nova, praguejando como um camionista, enquanto um jovem pouco jovem com as vergonhas a badalar.
No caminho, cruzaram-se um miúdo de 6 anos a pedir dinheiro no meio da estrada, para ajudar a alimentar uma família, vítima de uma sociedade egoísta.
Quid juris

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