sexta-feira, 29 de junho de 2012

Caso 25


O Xico Tuga é uma espécie de Deus Grego da Planície, o terror das meninas puras e imaculadas! E das outras também. Desde petiz que era robusto e espadaúdo, com atributos muito peculiares, cresceu nas montanhas de Mértola, respirando os aromas fortes da Serra, correndo naqueles montes sem fim, como um cabritinho doido! Na idade adulta, deixou a pacatez da província e instalou-se em Beja. Foi onde o conheci! Dos mais sensuais homens com que me cruzei na vida; fico arrepiado só de recordar. Um metro e noventa de homem, noventa quilos, patilhas que se unem com o espesso bigode, cabelo imenso impreterivelmente lavado de quinze em quinze dias e um odor corporal, que só os verdadeiros machos exalam e no braço, tatuado a amarelo canário, Amor de Mértola! Xico Tuga tinha uma grave doença, uma crónica alergia ao trabalho, uma doença incurável que o acompanhou toda a vida. Uma vez ainda tentou ir para um bar, mas foi recusado porque o dono do bar obrigou-o a permitir o acesso à sua página de Facebook e ficou escandalizado com o que leu!
Aos 25 anos juntou-se com uma petiza de 16 anos, que, por pudor, não vou descrever neste texto, embora, se me é permitido opinar, merecia que o fizesse ou se eu fosse possuidor do talento para pintar, que a imortalizasse como Munch fez com a sua Madonna ou escrever-lhe um poema, um soneto de amor. Talvez por isso ou talvez não, a miúda comprou uma mota, que insistia em conduzir sem capacete.
Como Xico queria ser pai e a petiza não tinha vontade de engravidar com medo de comprometer o corpo de iogurte, procuraram um aluno de solicitadoria para saber quais as possibilidades. O aluno ainda pensou que queriam outra coisa, mas cedo percebeu que era apenas uma consulta jurídica.
Foram felizes durante anos. Muito felizes. Mais felizes do que eles sabiam. Ou do que ele sabia, porque era demasiado burro para perceber a verdade, que se lhe esbatia no rosto, com a força bruta das evidências, chocando na sua indiferença. Porque na vida os homens se dividem em tolos e muitos tolos e o nosso Xico não era tipo para viver sem exageros; assim, no dia em que ela fez 22 anos, teve a paupérrima ideia de lhe propor que passassem a viver com outro casal, partilhando os quatro, coisas que fico corado só de pensar, que me penitencio por depositar neste texto. O que fizeram durante dois anos, dois meses, dois dias, duas horas, até que aconteceram duas coisas que me recuso a contar!
Vanessa, a petiza, hoje mulher, rumou para as Caraíbas onde casou com o marido dela e, quando regressou a Portugal, dois meses depois do casamento já estava grávida de 90 dias. E tudo piorou quando a criança nasceu; porque a criança era negra, o marido da Vanessa começou a desconfiar que o filho não era dele.
E um dia bateu-lhe! E chamou-lhe vagabunda ordinária, pêga de estrada! E outras coisas mais. E bateu no recém-nascido. E teve sexo com a irmã da Vanessa, que morava lá em casa desde sempre, num dia em que ela fez 15 anos.
Quid juris

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