quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Caso 34



Simão Botelho habitava uma rua sem história na cidade de Coimbra. Porque era orfão foi criado como filho do fidalgo de linhagem Domingos Mesquita e Menezes, vivia há um disparate de anos com D. Rita Teresa, mãe do nosso herói. Até ao dia em que Domingos morreu e a família dele expulsou da casa onde moravam D. Rita Teresa, procurando-a privar da vida faustosa que sempre viveu, abandonada na rua, quase sem dinheiro para comprar uma mala Prada, daquelas pretas que ficam bem com tudo. Quem a acollheu foi um tio surdo e careca, depois da família de Domingos ter colocado num site de internet videos de D. Rita a fazer badalhoquices com um amante.
Mas deixemos o drama da mãe e centremo-nos no filho, que quando a puberdade o despertou, começou a sentir uma pulsão amorosa pela sua vizinha, a belíssima Teresa de Albuquerque, que ainda laberguinha, já exibia atributos capazes de deixar louco um jovem imberbe rapaz na potência da idade. Durante semanas que se tornaram em meses, meses que se tornaram anos, namoraram secretamente, como naquela música da Cinderela, em que Carlos Paião conta a história de uma menina de cabelos louros e de um rapaz que tem tesouros para repartir, que trocavam olhares envergonhados, que eram namorados sem ninguem saber e quando a noite os envolvia sonhavam um com o outro.
Mas Tadeu de Albuquerque o pérfido pai de Teresa percebeu o amor da filha e com cólera negou à filha o direito a casar com o dono do seu coração, porque achava insuportável a família de Simão Botelho. Para afastar Teresa, congeminou casa-la com vários pretendentes, até que, derrotado pelas recusas da filha, decidiu fecha-la num convento, onde foi colega de Marianna Alcoforado com quem aprendeu a dizer, promete-me que vais ter saudades minhas, numa das cartas que enviou a Simão. Teresa tinha 15 anos e foi fechada num convento contra a sua vontade. Mas Teresa não era rapariga para cativeiro, pelo logo fugiu do convento; sei pai, colhido de raiva, fechou-a em casa, presa, sem poder nem sequer ir à escola. E foi em casa que um amigo do pai a desvirginou.
Nesse mesmo dia, Manuel Botelho casou, curiosamente com a sua mulher. Uma pecadora imunda, consumista, que dormia com alunas de serviço social, oferecendo-lhes presentes caros, deixando Manuel Botelho cheio de dívidas. E quando ele quis vender uma casa, que já tinha antes do casamento, para pagar aos credores, opos-se, porque usava a casa para encontros ilicitos; quando fugiu com uma doidivanas, deixou um conjunto de dívidas, mobiliário que comprou para a casa, um carro que comprou para passear e contas por pagar na ourivesaria, de presentes comprados para as suas amantes.

Simão, que também tinha quinze anos. tentou resgatar a sua amada, invadindo a casa com uma pistola, tendo baleado Baltazar, primo de Teresa. Detido pela polícia, também ele consegui fugir e esconder-se na casa de um ferreiro, conhecido de seu pai, onde conhece Mariana, que se apaixona por ele, construindo um triangulo amoroso.
Com medo que possa ser preso, Simão foge do país, e carrega consigo a tristeza imensa de assistir à morte de Teresa, tuberculosa. E também ele morre depois. De tristeza, estou certo. Mariana, quando atiram o corpo dele ao mar, joga-se para morrer também, mas é salva por um pescador. Recomposta, decide ser mãe de um filho de Simão, pelo que pretende ser inseminada.

Quid Juris

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