quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Caso 43




Quando se é jovem todos os sonhos têm as paisagens de Monet e ainda inexistem os tons de Turner nas nossas vidas. Pelo que é um erro ler a vida pelos olhos da adolescência. Porque não escrevemos a nossa história, escrevemos a história que a vida nos permite desenhar. Genoveva era muito jovem quando se casou! 16 anos mal cumpridos. Com um homem que nunca amou. Mas a Guarda sufocava-a e acreditava que na casa e no leito conjugal de Pedro da Ega poderia esconder-se da infelicidade.
Mas, ainda infeliz, engravidou, sonhando que a maternidade lhe daria a serenidade que procurava. Mas nós não somos aquilo que desejamos ser, pelo que, foi sem espanto, que numa madrugada se entregou a um emigrado espanhol, com quem fugiu, abandonando o filho e o marido.
E porque a felicidade nunca se constrói em cima da infelicidade alheia, rapidamente o emigrado espanhol se cansou da sua beleza juvenil ignóbil e a abandonou à sua triste sina. Numa cidade fria e distante, sem ninguém para chamar seu. Nas ruelas da vida, conheceu M. de Molineux, um velho senador, homem de 70 anos, com quem viveu durante 10 anos, até que o M. de Molineux morreu, deixando-a sem nada; ainda pior, os filhos dele, no dia do funeral, expulsaram-na da casa que habitava com o velho senador.
Desesperada, envolveu-se com Gomes, um brasileiro, que seduzia pré-adolescentes, com quem tinha relações sexuais, que filmava e depois vendia a tarados e perversos. Através de Aníbal, rapaz de 15 anos, que traficava droga, menores e bilhetes para o concerto da Bieber.
Mas também o brasileiro a deixou!
Foi na ruína que se instalou em Lisboa, onde conheceu Dâmaso: seduziu-o e durante três anos explorou-o sem piedade, tendo mesmo, persuadido o amante a instalá-la na Rua das Flores numa magnífica casa. Até que se apaixonou por Vítor. Com quem viveu uma linda e cândida história de amor. Até àquela trágica manhã em que o avô de Vítor a foi visitar e lhe revelou a crua verdade: Vítor era seu filho. E, confrontada com a verdade, com a certeza certa de que tinha tido relações sexuais com o seu filho, não resistiu à dor e jogou-se da varanda daquele terceiro andar, para a morte a encontrar na calçada.
Quid Juris

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